OS HEREGES – CHESTERTON

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CHESTERTON, G. K. Hereges. Campinas: Ecclesiae, 3ª Edição.

A intenção não é uma resenha e nem um resumo, mas pensamentos que surgiram durante a leitura. Segundo a Edição:

Hereges foi dedicado aos filósofos literários, como G.B. Shaw, Rudyard Kipling e H.G. Wells, que, graças ao brilhantismo, eram forçados a absolutizar suas construções, pois o dogma não os poupava de ver este mundo. Estavam sempre, para usar a expressão de Flannery O’Connor, elevando o relativo ao nível do absoluto.

  1. Chesterton sobre Jó. O Antigo Testamento fala da solidão de Deus. Um Deus que decidiu que não estaria sozinho. Por isto e egoísmo e a independência humana é tão terrível já que corrompe o propósito para o qual fomos criados: a glória de Deus.
  2. Os ataques sofridos pelo cristianismo atual não são nem de perto tão inquietantes e de difícil solução como anteriormente, mas particularmente complexos para a fraca mentalidade polemista, exegética e apologética atual. Pior, a suposta mentalidade intelectual cristã é tão avessa ao próprio cristianismo que se os atuais detratores fossem um pouco mais espertos não fariam qualquer esforço contrário ao cristianismo. Deixe que os próprios derrubem os últimos escombros.
  3. Os homens só se conhecem de verdade quando olham pra si mesmo a partir do olhar de Cristo. Ele não é um espelho do que somos, mas o contraste sobre o que deveríamos ter sido e que nele podemos vir a ser.
  4. Não podemos jamais desprezar o que os homens pensam. Principalmente se apresentam um pensamento elaborados, com começo, meio e fim, ainda que não concordemos ou não faça sentido. Mas isto está longe de afirmar que a pluralidade contemporânea também não represente um perigo. É exatamente o contrário. Nunca se sabe a médio e curto prazo as suas consequências.
  5. Elevados ideias podem revelar uma mente doente e não que procura transcender. A diferença entre ambas pode ser sutil aos olhos humanos. O pior disto é disfarçar medíocres de verdadeiros homens.
  6. Tomados pelo mal, é fácil entender o quanto também somos insensíveis aos bem. Não só em percebê-lo, mas muito mais em praticá-lo. Por outro lado, esta insensibilidade também é positiva já que, mesmo não conhecendo ainda todo o poder do mal, sempre julgamos estar nos seus limiares.
  7. Num certo sentido, ainda temos a capacidade de prosseguir mesmo cercados de tanto mal. Isto é uma virtude.
  8. O erro do progressismo é exigir e pregar que seus efeitos sejam possíveis apenas rompendo os limites morais.
  9. Nossa bandeira dia ordem e progresso: é um lema muito razoável.
  10. Não há poesia naquilo que é trivial, mas homens entendiantes tiraram o brilho até do que é excepcional. Pode ser efeito de um espírito excessivamente domesticado pelo que é sem valor e sem grandes aspirações.
  11. A disciplina, por exemplo, não é um fim, mas um meio para atingir algo.
  12. A falta de profundidade e amplitude corrompe mais que a completa ignorância em alguns casos em que os temas são razão de vida e morte. Não há meios termos. Pouquíssimos pensadores atuais resistem a dois “por ques” seguidos.
  13. Todo homem que procura mergulhar profundamente no conhecimento pode estar certo de uma coisa: terá cada vez mais interiorizado o conhecimento da própria ignorância. Deus zomba daqueles que não o fazem por seus caminhos.
  14. No final das contas só temos um objeto de estudo: o homem. Mesmo quando falamos de coisas e banalidades.
  15. O lado oculto dos homens também possui virtudes
  16. Os homens ciência se perderam quando começaram a encontrar respostas
  17. É provável que aqueles que desejam o progressismo para todos ainda mantenham “saudáveis” hábitos tradicionais para manter a própria existência
  18. O amor verdadeiro a Deus e pela vida dada por ele naturalmente nos conduziria a verdade
  19. As guerras nunca cessarão. Mudam as armas e métodos. A única coisa que os homens concordam é discordar
  20. O homem não pode superar a si mesmo. Só o pode através de algo maior e diferente dele e que lhe conceda, fora dos aspectos naturais e humanos, o que é necessário para isto
  21. Segundo a escola dos fortes devemos estar ao lado dos fracos
  22. O super-homem de Nietzsche é um solitário enrijecido
  23. O bem existe, mas o homem é incapaz de enxergar isto
  24. Todas as coisas única e verdadeiramente humanas são inúteis
  25. A religião realmente se perde quando lhe é atacado o coração e os sentimentos porque mesmo sem a razão ainda permanece
  26. Nada pode ser pior para a alma do que tornar obrigatórias, comuns ou corriqueiras aquelas poucas coisas que nos dão algum prazer. O diabo é mestre em banalizar o excepcional
  27. Uma religião que se torna inimiga da alegria já morreu
  28. A alegria é sinal de eternidade e felicidade. Mistérios que não podem ser racionalizados
  29. Só é possível amar verdadeiramente aquilo que não morre ou deixa de existir. A verdadeira religião só pode ser alegre
  30. O problema da imprensa não é ser violenta ou polarizada, mas excessivamente enfadonha.
  31. Porque dizem muito sem dizer nada e sempre estão dissimuladamente ao lado de alguém.
  32. Nenhuma virtude pode ser acompanhada de orgulho porque perece.
  33. Uma imprensa que se preocupa com o barulho do martelo e não no prego sendo cravado na madeira.
  34. O mais triste para o homem é ter juízo e medida apenas a partir de si mesmo. Nisto o cristianismo mostra mais um vantagem: o padrão é Cristo.
  35. Em matéria de virtudes, conhecê-las é o mesmo que liquidá-las.
  36. É mais fácil encontrar virtude e simplicidade nos impulsos do que na elaboradas sofisticações humanas.
  37. Pode ser que os “templos” dedicados a algo não sejam, de fato, o melhor lugar para se aprender algo sobre aquilo.
  38. A ciência pode dizer o quanto há de fósforo, cálcio e proteína num pedaço de bisteca, mas não pode expressar o prazer do seu sabor e poder de saciar não apenas o corpo, mas a alma faminta. Muito menos, o que rodeia uma mesa onde ela se encontra.
  39. Em relação às descrições antropomórficas do passado, atribuir elementos humanos a Deus e aos eventos naturais, ampliava ainda mais o mistério. Ou seja, de forma alguma era uma simplificação.
  40. Nem sempre o que segue algo que existe sendo originado dele, é superior. Invariavelmente é menor. O paganismo, por exemplo, veio após o cristianismo.
  41. Qualquer virtude despida de paradoxo deve ser desconsiderada.
  42. Nada mais contrário ao progresso do que o pensamento independente.
  43. As pequenas comunidades, como a família, a vizinhança e a igreja com todos as suas proximidades, é a chance de sermos humanos. Por isto parece o homem querer fugir desta proximidade sob a recusa da sua universidade onde estas proximidades desaparecem. Incomodam porque não são escolhas nossas, mas de Deus.
  44. Lacedemônia é um caso de cidade que optou por negar o conceito e o direto a família e não subsistiu por isto mesmo.
  45. O vazio da “aristocracia” é querer se sustentar sobre falsos valores. Falta-lhes, por exemplo, a inteligência e perspicácia daqueles que sabem ser irônicos e, ainda pior, daqueles que realmente sabem se alegrar.
  46. Não existe uma relação direta entre a manifestação de sentimentos de um homem e sua fraqueza, assim como não há a relação entre a falta de manifestação de sentimentos e sua força. Grandes homem do passado manifestaram sua fraquezas, medos, choraram em público e nem por isto foram menores. Os próprios Vickings, conhecidos por grande brutalidade, podiam chorar e beijar uns aos outros como fazem meninas adolescentes.
  47. Ser um grande artista não faz de ninguém um grade homem. E vice-versa.
  48. Os ideais materialistas e aparentemente mais humanos e possíveis, quando comparados aos ideais religiosos, são mais perigosos porque, parecendo possíveis e viáveis, serão perseguidos com toda força pelos que os defendem. Os ideais religiosos, por sua vez, por aspirarem instâncias elevadíssimas da existência humana, nunca serão satisfeitos, e aqueles que os defendem sempre estarão em dívida consigo e com os outros.
  49. A falta de democracia existe onde não se vê algo do divino em casa ser humano. Ou, quando se olha para os “grandes”, não ver neles algo absolutamente comum.
  50. O herege é alguém que nega tudo que existe e diz que tudo precisa ser refeito. O ortodoxo reconhece que algo está errado, mas que nada de novo nasce à revelia do que já existe.
  51. Por isto, o problema maior dos homens e onde deve ser corrigidos e refeitos é no conjunto de suas crenças.
  52. Chesterton defende a ortodoxia, principalmente aquela vinda de Aquino, num tempo em que ela era considerada uma heresia.
  53. A grande arma contra o mal não é cometê-lo mas saber o que é o mal.
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