A ERA DO NIILISMO – LUIZ FELIPE PONDÉ

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PONDÉ, Luiz Felipe. A era do niilismo: notas de tristeza, ceticismo e ironia.  São Paulo: Globo Livros, 2021. 120 páginas.

O niilismo, segundo o autor, não é um movimento ou pensamento uniforme. Ou seja, há vários tipos de niilismo. Ele afirma que os russos preconizaram esta visão de mundo, mas muito fundamentados na sua relação com a França do século XIX e início do século XX. Basicamente, o niilismo é uma visão na qual a vida é vazia e sem propósito (telos) e uma leitura a humanidade a partir da qual ela sempre esteve à beira do caos e de um surto psicótico irreversível. A modernidade, neste caso, tem relação próxima e ambígua com o niilismo porque potencializou o vazio humano derrubando os últimos escombros no qual a humanidade se apoiava como Deus e a família, mas também pintou o niilismo com o verniz da autonomia humana e da felicidade através dos próprios esforços: o homem deve se bastar. Entretanto, por mais que se esforce, além do vazio, o homem se debate com a futilidade, liquidez e inutilidade da sua existência que se esvai com seus fracassos e com sua morte. O que segue são pensamentos gerados a partir da leitura.

  1. Deus permanece indiferente às perguntas feitas pelos filósofos e sociólogos, e diria que até dos teólogos, ao mesmo tempo em que esconde dos homens as respostas que a humanidade, ainda sujeita ao pecado, tanto deseja.
  2. Ambiguamente, o homem que ainda não morreu e não viu seu juízo, está temporariamente poupado das angústias daqueles que jamais terão o verdadeiro bem, simplesmente porque ainda não o experimentarão ainda que possam, de algumas maneira, contemplá-lo apenas à distância como rico da Parábola de Cristo que viu Lázaro nos braços de Abraão sendo cuidado e consolado. Isto está reservado apenas àqueles que confiam em Cristo.
  3. Pelo menos em parte, o sofrimento humano pode ser explicado pela distância entre o intelecto e o coração. Quanto maior esta distância, maior o sofrimento. Uma forma de amenizar a dor seria compatibilizar sentimentos e pensamentos. É o que tenta a ciência humana sem muito êxito.
  4. Deus não precisa do mal para se estabelecer como Deus. O homem, na contramão, se firma como tal a partir desta relação.
  5. Não faz sentido que um cristão se angustie pela própria salvação porque ela não depende dele. A Graça Divina que salva o homem é uma resposta definitiva para a condenação e toda dor humana. Em qualquer época da humanidade ela foi e será uma resposta adequada para tudo.
  6. A vida intelectual é uma espécie avançada de antropofagia em que os outros passam a viver em nós quando conhecemos seus pensamentos. Principalmente quando discordamos porque em nós é gerada em nós, de alguma maneira, uma espécie de antropofagia ainda mais carregada de vontade.
  7. Por outro lado, a vida intelectual também é semelhante a vida e trabalho de narrador perspicaz e participativo e que tenta antecipar alguns fatos aos seus interlocutores, mas que quase sempre erra.
  8. As redes sociais desarticularam a vida privada de tal modo que permitiu que ela fosse invadida pelo nada, pelo vazio, pelo cinismo e por aquilo que é supérfluo e inútil.
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