UMA NOVA VIDA EM CRISTO É SAUDÁVEL E MAIS FELIZ

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Muitas acusações pesam sobre nós cristãos e muitas delas são muito procedentes.  Cristãos vivem crises conjugais, tem problemas de saúdes e morrem como todos os outros mortais. Nossa identidade espiritual em sintonia e unidade com Cristo não é garantia de que vamos viver ilesos de problemas de saúde, desequilíbrios mentais e desajustes emocionais e relacionais.

A quantidade de cristãos doentes fisicamente e desequilibrados mentalmente é muito grande. Muitos estão fazendo tratamento com medicações controladas e lutando para voltar a ter saúde ao mesmo tempo em que lutar por manter tratamentos longos e muitas vezes desgastantes e desconfortáveis.

Sabemos e afirmamos que o homem é pecador e que o pecado possui o poder de nos adoecer e nos desequilibrar física e espiritualmente. Mesmo depois do Novo Nascimento não estamos isento destas situações adoecedoras e desequilibrantes. Em algum sentido, a própria vida cristã, mal compreendida e mal vivida, é um fator descompensador da saúde física e mental. A nossa redenção completa e nossa glorificação implicam na conquista pelos méritos de Cristo não apenas de nossa salvação do pecado como mal moral, de nosso relacionamento com Deus, mas também no reestabelecimento completo de nossa saúde física e mental. Seremos plenos física e espiritualmente.

Na década de 90 li e tive contato com dois livros muito importantes. O primeiro era de um médico cristão e se chamava Um plano de Saúde que Deus garante, do Dr. Fernando M. F. de Oliveira, das Edições Vida Nova de 1995. O outro era Esgotamento Espiritual, de Marcolm Smith da Editora Vida publicado em 1993, reeditado em 2002. Por mudanças, doações e empréstimos não controlados, não tenho mais estes livros e nem acesso direto agora. Talvez tenha há que comprá-los novamente.

O primeiro livro trabalha a ideia do homem quadrado.  O quadrado é uma figura geométrica composta por quatro lados iguais. Cada um destes lados corresponde, na linguagem do autor, um lado da vida humana: saúde, família, vida espiritual e vida social (se é que me recordo bem, mas para efeito deste texto estes comentários valem).

O segundo fala do stress da vida cristã. O questionamento é o excesso de fórmulas para viver a vida cristã agradável a Deus e sem o fantasma da cobrança e do fracasso constante. É um luta para qual a derrota é certa. Muitos cristãos passam por excessos de trabalhos, principalmente aqueles que fazem parte da liderança, por excesso de trabalhos, cobranças, derrotas e fracassos. A religião mal vivida é uma fonte inesgotável de frustração e de cobranças indevidas. A natureza pecaminosa não conflita apenas contra a santidade, mas também contra o bom senso. A vida religiosa pode se tornar uma loucura com consequências muito graves. Hoje, infelizmente, levamos isto a outro extremo, uma religiosidade sem religião. Um desencantamento que leva a uma estagnação completa, mas nem por isto, os cristãos deixam de adoecer. Pelo contrário, parecem adoecer mais ainda.

Tentaremos fazer uma lista enorme de desequilíbrios que podemos viver:

  1. Excesso de trabalho: a competição, o desemprego galopante, as regras injustas do mercado de trabalho, chefes e empresas escravizantes, o materialismo, a desordem das relações coorporativas, a má administração das empresas, a falta de qualidade de produtos e serviços que geram ainda mais trabalho, são apenas algumas das fontes de stress e desgaste. Trabalha-se demais e em más condições. Não se recebe um salário minimamente digno ou não se está contente com ele.
  2. Famílias disfuncionais e mal formadas: casamentos feitos sem critério, adultério, desajustes financeiros por má administração ou pela falta de recursos, divórcio, jugo desigual, cônjuges preguiçosos ou excessivamente ativos, os achaques da sociedade contra a família, etc.
  3. Problemas com a saúde física: comida gordurosa, fast-food, comida industrializada, falta de atividades físicas e falta de lazer, além de problemas sobre os quais sequer temos controle como os oriundos da hereditariedade, envelhecimento e acidentes.  
  4. Falta de amizades e relacionamentos edificantes: também podemos nos associar a pessoas tóxicas, pessoas que sobrecarregam todo o seu entorno com problemas, conflitos e disputas, e que serão um problema para a gente, além, inclusive da própria falta de relacionamentos. Isto é cada vez mais comum em grandes centros urbanos.  
  5. Falta de relacionamento com Deus ou dificuldades neste relacionamento: seria normal acreditar que pessoas ligadas à religião fossem mais equilibradas e melhores pessoas, mas não é verdade. Além das dificuldades inerentes a pecaminosidade humana, temos o fato de que as igrejas não ensinam e nem se preocupam em ensinar como ser uma melhor pessoa. Doutrina distante da realidade, disputas internas, preocupação apenas materialista, etc.

Não é à toa que nós estamos todos nos embrutecendo e enlouquecendo, perdendo o bom senso. Perdemos o tato com a realidade com o que é bom para nós.

Apesar de não acreditar que a palavra equilíbrio seja uma boa palavra para tudo, acho que aqui é uma palavra importante, um bom paradigma para começar. Digo isto porque não há limites equilibrados para amar, para querer o bem dos outros, para orar, para buscar a Deus, etc. Acho que algumas coisas devem nos tomar mais completamente.

Alguns trabalham demais, outros de menos. Alguns só cuidam da saúde física, mas não cuidam da própria alma. Outros só querem diversão e viagens, mas não levam outros aspectos da vida a sério. Outros zelam pelo espírito (e são muito poucos), mas não cuidam de seus relacionamentos. Mais uma vez, não é à toa que estamos enlouquecendo.

Quando estudamos a queda do homem no Éden, é comum que apliquemos a extensão da queda em pelo menos cindo questões: a queda espiritual ou a morte enquanto separação de Deus, a queda psíquica que é a queda referente aos conflitos internos que todo homem tem, a queda social que é a dificuldade de relacionamento com seus semelhantes, a queda antropo-ecológica que é o conflito com a natureza, a queda ecológica, que são as dificuldades e desajustes da própria natureza. O processo de conversão e santificação do homem deve levar em consideração todos estes aspectos e não apenas aqueles que se referem à dimensão espiritual. O homem que se reconcilia com Deus, consigo mesmo, com seus semelhantes, em sua relação com a natureza e a da própria natureza per si.

R.C Sproul quando comenta a queda a partir de Agostinho fala em oito dimensões ou consequências. A Primeira, a própria queda. Desde que o homem foi criado com a posse peccare, ele teve a capacidade para cair desde o começo. Ele foi criado bom, mas também mutável. Esta mutabilidade implica em pecar. A segunda consequência do pecado é a perda da liberdade. O homem resgata em Cristo a liberdade de amar e viver bem, que lhe, agora em Cristo, intrínseca. A terceira consequência do pecado é a obstrução do conhecimento. A capacidade intelectual do homem era muito maior na criação do que após a queda. As consequências da queda incluem o que os teólogos referem-se como os “efeitos intelectuais do pecado.” A palavra intelectual é derivada da palavra grega para “mente”, que é nous. Originalmente, a mente do homem podia absorver e analisar a informação muito melhor e mais acuradamente do que podemos agora. Ele podia entender a verdade corretamente, sem distorção. No entanto, o homem não era dotado por Deus com o atributo divino da onisciência. Este é um dos atributos “incomunicáveis” que Deus não pode de fato “comunicar” à criatura. Um ser onisciente, que tem uma compreensão infinita e eterna de toda a extensão da realidade, deve ser eterno e infinito. Consequentemente, Adão tinha um limite no seu conhecimento dotado e estava sobre uma curva de aprendizado desde o início. No entanto, sua capacidade para aprender não era obstruída pelo pecado original. Na criação, o processo de aprendizado era fácil. A mente do homem não estava obscurecida pelo pecado. A quarta consequência do pecado é a perda da graça de Deus. Na criação, Deus proveu o homem com um adjutorium, uma assistência graciosa certa para o bem.

Após a queda, Deus retirou da criatura esta graça assistente. Em um sentido, o homem foi entregue ao pecado, para seguir os planos maus da sua mente. Seu coração é agora cheio de dolo e seus desejos são continuamente maus. Com certeza ainda permanece uma graça pela qual Deus, através da sua lei e providência, contém o mal humano. Ele o mantém em confronto até certo ponto. Mas este freio divino não é a assistência positiva da graça para o bem, mas um freio negativo do mal. A quinta consequência do pecado é a perda do paraíso. Parte da maldição que se seguiu à queda foi a expulsão do Éden. Deus baniu Adão e Eva do jardim paraíso e colocou na entrada do Éden uma sentinela angelical que empunhava uma espada flamejante. Este sentinela prevenia que Adão e Eva voltassem ao jardim.

Consequentemente, o ambiente no qual eles gozavam da presença imediata de Deus e da comunhão com ele foi retirado. Com o exílio, vieram também as maldições sobre a mulher (ela deveria experimentar dor ao dar à luz), sobre a serpente (esta iria rastejar no pó sobre o seu ventre), e sobre o homem (ele iria, com suor e fadiga, trabalhar o solo que resistiria aos seus esforços). O novo ambiente é marcado pela presença de ervas daninhas, espinhos e urzes ou abrolhos. Não havia ervas daninhas no Jardim do Éden. A sexta consequência é a presença da concupiscência. A noção da concupiscência, que aparece do começo ao fim dos escritos de Agostinho, envolve certa predileção para o que é sensual. Não é a própria sensualidade, mas uma inclinação a ela. Envolve certa “tendência” ou inclinação da vontade em direção à lascívia da carne, e esta concupiscência guerreia contra o espírito. “Originalmente, o corpo era tão alegremente obediente ao espírito quanto o homem a Deus,” Schaff comenta. “Havia apenas uma vontade em exercício. Com a queda, esta harmonia bonita foi quebrada e o antagonismo, que Paulo descreve no sétimo capítulo da epístola aos Romanos, surgiu logo, concupiscentia é substancialmente o mesmo que Paulo chama de ‘carne’ no mau sentido.

Não é a constituição sensual em si mesma, mas sua predominância sobre a natureza mais alta e racional do homem. A concupiscência, então, não é algo meramente corpóreo mais do que o sarx bíblico, mas tem o seu lugar na alma, sem a qual nenhuma concupiscência surge.” A sétima consequência do pecado é a morte física. Na criação, o homem tinha tanto a posse mori quanto a posse non mori, a capacidade para morrer ou para não morrer. Deus advertiu Adão de que se ele comesse do fruto proibido, morreria. Esta advertência foi negada pela serpente, que alegou que Adão e Eva não morreriam, mas se tornariam como deuses. A oitava e última consequência do pecado é a culpa hereditária. O pecado original significa que o pecado não é meramente uma ação, mas também uma condição transmitida de nossos primeiros pais para cada um de nós. O pecado é um habitus, algo que “habita” a nossa natureza humana.

Este estado, condição ou hábito de pecar continua através da procriação, de geração a geração. O pecado original é transmitido diretamente através do processo natural de geração humana? Ou Deus direta e imediatamente cria cada alma outra vez? Agostinho oscilava entre estas duas escolas de pensamento (conhecidas como traducianismo e criacionismo) porque ele pensava que a Escritura não respondia a questão de forma definitiva.

Seja pensando nas cinco ou nas oito consequências, e tendo contato com todas estas informações, impera, sobre aqueles que querem viver bem, a necessidade de equilibrar as coisas. Desequilíbrios e impossibilidades devem nos inclinar a uma busca em Cristo da saúde completa. Mais do que excessos, precisamos de equilíbrio e da busca de amplitude em todos os aspectos da vida.

Há uma enormidade de sites que ensinam sobre a saúde do corpo. Igrejas deveriam se emprenhar no ensino sobre a vida familiar com mais intensidade. Deveríamos ter hobbies e praticar algum tipo de esporte ou atividade física prazerosa e constante. Deveríamos ter amigos ou uma rede de contatos sociais sadios com quem pudéssemos construir uma relação madura e duradoura na qual houvesse confiança e verdade.

Devemos cuidar de nossa alma com oração, vida devocional, leitura, reflexão, meditação e uma vida de constante cuidado intelectual. Nossa filiação à igreja local deveria ir muito além da participação de seus cultos, mas o envolvimento ativo naquilo que fazemos bem e somos úteis.  

Uma vida completa parece muito mais saudável que uma vida de excesso em alguma área. Ou equilibramos as coisas ou vamos continuar enlouquecendo.

  

Bibliografia

  1. SMITH, MALCOM. Esgotamento Espiritual. São Paulo: Vida, 1993.
  2. OLIVEIRA, Fernando M. F. de. Um plano de Saúde que Deus garante. São Paulo: Vida Nova, 1995.
  3. WARREN, Rick. Plano Daniel: 40 dias para uma vida mais saudável. São Paulo: Vida.
  4. http://www.monergismo.com/textos/livre_arbitrio/consequencias_queda_agostinho_sproul.htm

 

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