ESCATOLOGIA E INTERPRETAÇÃO BÍBLICA, PRÁTICA PASTORAL E MISSIONÁRIA

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O que pensamos realmente é muito importante

Entre alguns grupos religiosos que tem a Bíblia como guia de fé e prática é comum que se tenha uma interpretação de como se darão os eventos do futuro, quanto à ordem dos fatos, a importância e relevância de cada um dos fatos além de, obviamente, interpretações literais ou simbólicas de determinados eventos, como o milênio por exemplo.

Infelizmente, é comum também que muitos escolham por não definir sua posição escatológica por achar que podem deixar em aberto uma questão tão importante. Didaticamente, a Teologia Sistemática analisa os eventos finais exatamente em seus capítulos finais e, esta pode ser a causa provável deste desinteresse ou desta despreocupação, mas o fato é que a posição escatológica influencia na interpretação bíblica, na prática pastoral e nas ações missionárias. Quando não influenciam diretamente nos aspectos práticos, influenciam na interpretação dos eventos.

Um pós-milenista é extremamente otimista quanto ao papel da igreja em suas ações missionárias como fator acelerador da volta de Cristo. Momentos de avanço da igreja ou de mudanças efetuadas pela igreja foram importantes para que esta visão se firmasse, como durante a Reforma Protestante. O Reino Milenar corresponde ao período da igreja iniciado no Pentecostes, ou ainda antes na Assunção de Cristo, e culminará com o sucesso da igreja em suas ações missionárias e de transformações sociais vencendo o mal. Está na mão da igreja pregar e ver pessoas se convertendo e, é natural uma visão positiva do poder humano e muito otimismo na transformação da vida das pessoas.

Um pré-milenista, em todas as suas variáveis, aguarda uma piora sensível do mundo e do mal. A igreja oprimida, mas perseverante, deve manter-se fiel e esperar a intervenção operosa e decisiva de Cristo para então, e somente então, governar com Cristo literalmente sobre a Terra. Antes disto, há promessas de restauração completa de Israel em linha descontínua com a igreja. A igreja é um parêntese histórico para salvação dos gentios. O retorno de Cristo não é anterior a uma série de eventos cósmicos e terrenos muito evidentes. O otimismo no papel da igreja é bem menor. A igreja é muito mais aquele que guerreia contra o mundo do que aquela que o transforma. Há, necessariamente, certo desinteresse com transformações sociais e há um profetismo que não pretende acelerar a volta de Cristo, mas evidenciar os motivos de um grande juízo vindouro. Na prática missionária e pastoral a igreja funciona como uma arca e cada um deve se ater ao chamado e buscar sua salvação.

Assim como no pós-milenismo, o amilenismo entende o milênio com simbólico. O pré-milenismo entende o milênio como a presença real de Cristo sobre a Terra. No Pentecostes ou na Assunção de Cristo o milênio teve início. Sua volta é iminente e não precedida de um sucesso sem igual da igreja. A compreensão do poder de Satanás é muito mais limitada do que no pós-milenismo. Não há grande ênfase no poder da igreja de transformar o mundo como fator importante e desencadeador da segunda vinda, mas a igreja, como Reino presente de Deus que já chegou, impõe sua vida e pensamento pelo contraste. A visão do homem é igualmente negativa, mas há grande ênfase no poder da igreja e na ação presente do Espirito Santo independentemente das ações humanas.

As conclusões aqui são muito básicas e merecem expansão, mas deve servir de base para avaliarmos se de fato não nos importa o posicionamento escatológico quando tratamos de interpretação bíblica, ações pastorais e missionárias.

Pastor Júnior Martins

30/09/2017

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