EMILIE LEONARD E O PROTESTANTISMO BRASILEIRO ATÉ 1950

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LÉONARD, Émile-Guillaume. O protestantismo brasileiro: estudo de eclesiologia e de história social. Tradução de Camargo Schützer, 2ª edição. Rio de Janeiro e São Paulo, JUERP/ASTE, 1981. 354 p.

Léonard é francês e veio ao Brasil na década de 1940. Nos quatro anos que esteve no Brasil foi professor na USP, tendo vindo a convite para palestras, mas estendeu sua estada no país. Nestes quatro anos aprendeu o português com fluência e investigou toda documentação disponível sobre os protestantes brasileiros e escreveu esta obra que é uma referência obrigatória para todo pastor, estudante de teologia e crentes que querem conhecer suas raízes. Sendo presbiteriano, não se furtou a escrever com detalhes sobre todas as denominações com riqueza de datas, personagens e fatos. Impressionante. Podemos comparar este trabalho apenas com a obra de Otto Maria Carpeaux, austríaco residente no Brasil que em pouco tempo era profícuo conhecedor de toda literatura brasileira. Este morto em 1978.

O livro foi encerrado em 18 de setembro de 1950. O pentecostalismo ainda não era tão relevante quanto hoje. Deste modo, mereceu apenas comentários de passagem ao final do livro.

  1. Ele usa o termo propaganda protestante porque a conotação era outra. Ele não trata da conjuntura político-social brasileira que também influenciou o protestantismo e cita sempre de passagem o papel do pentecostalismo. No entanto, dispõe de dados impressionantes do movimento protestante brasileiro. Isto explicaria a presença do protestantismo no ruralismo inicial e depois sua presença e desafios nas metrópoles brasileiras, já que na década de 30 o Brasil começou o grande êxodo getulista.
  2. Segue uma linha mais historicista e não sistematiza o protestantismo brasileiro coisa que seria comum a um francês. Poderíamos propor o seguinte sistema: a) chegada de protestantes começando pelos presbiterianos, b) movimentos anti-católicos, c) movimentos anti-maçônicos, d) unionismo – uma espécie de ecumenismo protestante (não deu certo), e) anti- espiritismo (com o crescimento do kardecismo no Brasil e os primeiros movimentos sincretistas), f) anti-pentecostal, g) anti-neopentecostal, h) misto. Foram sempre movimentos que muito mais se posicionaram contra algo do que tentaram formar a própria identidade.
  3. Foram fatores que favoreceram o protestantismo no Brasil: baixa qualidade do clero católico, falta de clérigos e igrejas católicas fechando, a oposição do catolicismo brasileiro a Roma, os sermões protestantes mais populares e apaixonados e diferentes da exigência católica a uma vida como as dos Santos. Os brasileiros receberam bem os protestantes.
  4. Jose Maria da Conceição, o primeiro pastor brasileiro, ex-padre, foi um Lutero Brasileiro. Morreu na noite de Natal. A viagem para os EUA não foi de descanso e não queria administrar igrejas, mas pregar e organizá-las apenas. Morreu em 1873. Era conhecido com padre protestante e depois de convertido como pastor louco.
  5. Miguel Teixeira Vieira, foi um dos grandes protestantes brasileiros na época ao lado de Conceição, e atuou de forma independe por causa de sua visão mais espiritualista da igreja, mesmo sendo visto como bom intérprete das Escrituras. Por volta de 1870.
  6. A reação ao catolicismo foi muito forte. Vinda da Europa, o anti- catolicismo encontrou forte adesão aqui. Os primeiros missionários e pastores brasileiros, como Conceição, focaram mais na adesão à mensagem evangélica do que na retaliação ao catolicismo, isto gerou reações mais tardias quando esta posição foi abandonada.
  7. Reverendo Mesquita II História dos Batistas.
  8. Missionary Comity um acordo para denominações não se esbarrarem em 1888 depois em 1902. Cidades como menos de 25.000 pessoas só podiam ter uma denominação, membros trocados por carta de transferência, nada de obreiros mudarem de denominação.
  9. O desejo de independência dos americanos e a formação de duas faculdades em São Paulo, uma delas o Mackenzie, foi motivo da formação dos presbiterianos independentes e de muitas disputas entre eles e os americanos. A maçonaria exerceu bom motivo para acirrar as questões, tudo isso no início do século XIX. 20 anos depois seriam os batistas a combater a presença maçônica na igreja.
  10. A década de 1920 foi quando se deram os  embates de independência do capital e direção estrangeiras, principalmente americana. O foco foi o Nordeste, sobretudo Pernambuco. No entanto, em 1925 acordos de trabalho deram uma arrefecida no debate. É por  ocasião que o congregacionalismo batista ganhou ainda mais força, haja visto que queriam independência dos americanos e tinham nas mãos certa autonomia que levou ainda muitos anos para acontecer. Ainda temos uma dependência intelectual dos americanos.
  11. Os católicos cantavam musicas pejorativas dos protestantes. Algumas bem pesadas.
  12. Logo os batistas brasileiros inauguraram uma igreja em Portugal. Já era um desejo na fundação da Convenção em 1907. Mas a tensão foi grande e incluiu a Junta de Richmond e do Texas no problema. O seminário fundado contava com desavenças entre o diretor brasileiro e o administrador português.
  13. O crescimento protestante no século XX no Brasil foi ajudado pela baixa quantidade de clérigos católicos que não acompanharam o crescimento numérico do Brasil e o distanciamento moral e pouca empatia dos mesmos. Coisas que sobravam nos missionários protestantes estrangeiros e nos novos ministros brasileiros.
  14. A relação com os protestantes estrangeiros geraram controvérsias quanto ao fumo e bebida. No Rio Grande do Sul, os crentes chegaram a ser divididos em fumobatistas (plantadores e consumidores de fumo) e batatabatistas (contrários a isto e que que viviam da plantação de batatas).
  15. Somente na década de 60 que os brasileiros começaram a dar destaque aos ministros, denominações e história daqui. Mesmo assim, igrejas como os metodistas, ainda dependiam muito de capital estrangeiro para seu trabalho. Nesta época os templos começaram a assumir um perfil protestante brasileiro, mas também foi o tempo em que o formalismo estrangeiro e o informalismo brasileiro entraram em choque. Os brasileiros lutavam dos dois lados. Em muitas denominações o indivíduo era preterido pela causa.
  16. Até 1949 os batistas apresentaram um grande crescimento devido ao sistema congregacional que privilegia o indivíduo e não o dilui na comunidade. Naquele tempo cada membro batista era um evangelista em potencial. Era considerado por outras denominações como de organização confusa e bagunçada.
  17. Dificuldades de crescimento chegaram a provocar em algumas denominações a vontade de se unirem: presbiterianos, episcopais e congregacionais – o unionismo já citado acima.
  18. À época surgiram também as primeiras mocidades organizadas, mas tiveram muitos problemas, quando mulheres e homens também formaram seus departamentos. A divisão de departamentos dentro das igrejas surgiu como oposição e revolta. Não foi um movimento tranquilo.
  19. Ainda em 30, grupos de jovens se amotinam contra suas lideranças, vencidos pelo neto de Eduardo Carlos Pereira.
  20. O processo de formação de intelectuais brasileiros começa a gerar a produção de heresias na igreja como o aniquilamento da alma. Talvez até hoje haja resistência a clérigos mais intelectualizados e com mais informações.
  21. O unionismo de 30 e 40 não vingou. A esta época, em virtude dos estrangeiros doutores, havia uma ética anti-intelectual na igreja e os doutores eram vistos como libertinos. Ver página 304.
  22. Este momento o Brasil já começa a viver os problemas de um protestantismo velho: teologia e máquina eclesiástica. No protestantismo novo o foco é evangelização, conversão e conquista. Dentro deste processo a EBD teve apelo importante nos três tempos da vida de um crente: conversão, instrução e evangelização. Os números de visitantes nas EBDs eram impressionantes.
  23. Até 1940 pastores se desdobravam nos campos para atender um sem número de igrejas, foi então que o desafio de pastorear o proletariado se afirmou. Gerou uma divisão doentia entre Protestantismo de Sacramento, Protestantismo do Livro e Protestantismo do Espírito. Uma membresia mais burguesa tem seus problemas também. Agora há problemas como saneamento na agenda missionária metropolitana.
  24. É um período de Iluminismo no Brasil em que se aprende a ler e se abandona a Bíblia porque se pode ouvi-la pelo rádio também. Certo, conta sua esposa, aprendeu a ler para ler a Bíblia, mas assim que aprendeu só lia notícias e política.
  25. A mesma fraqueza que se viu contra a maçonaria agora está dirigida ao espiritismo que era visto como culto verdadeiro e contaminou o protestantismo.
  26. Ele cita a Assembleia de Deus nesta fase, mas talvez não seja tão vultuosa como hoje e se limita a dizer que os batistas se lhes opõe duramente. Mas antevia um crescimento dos pentecostais, sobretudo por que dedica tempo a Congregação Cristã do Brasil associada à chegada de italianos.
  27. Neste momento as loucuras e insanidades ligadas à falta de conhecimento bíblico são presentes.
  28. Termina em 1950 falando da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que pretendia estar alheia as desavenças denominacionais e o liberalismo estrangeiro.
  29. Há um tom de profecia final incentivando a um posicionamento claro em relação a isto diante das Escrituras sob o preço cai de cair na extravagância e depois na indiferença. Já estamos no limite de uma para outra.
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